Álvaro Lapa

1939-2006

 

Álvaro Carlos Dinis Lapa nasceu em Évora a 31 de Julho de 1939.

Aos oito anos de idade foi separado da família, após a prisão do pai, um trágico acontecimento que motivou a mudança de residência da mãe e dos dois irmãos mais novos para o Barreiro, onde esta encontrou trabalho, ao passo que Álvaro foi entregue aos cuidados dos padrinhos.

Durante o seu período inicial de formação contactou com duas grandes figuras da cultura portuguesa: em 1950, recebeu lições de pintura do artista António Charrua (1925-2008), com o intuito de melhorar a sua classificação na disciplina de desenho; nos 6º e 7º anos, foi aluno do escritor Vergílio Ferreira (1916-1996), circunstância que o levou a escrever poesia.

Uma vez concluídos os estudos liceais fixou-se em Lisboa, em 1956. Nos dois anos seguintes frequentou a Faculdade de Direito e durante este período publicou um texto sobre Kafka e participou numa "Missão de Arte" em Évora, na qual conviveu com o expressionismo abstracto.

Pouco depois, trocou o Direito pela Filosofia (1960-1962) e viajou até à capital francesa (1961) onde contactou com artistas próximos dos Surrealistas e com a emergente arte americana.

Em 1962 começou a pintar juntamente com o amigo Joaquim Bravo, leccionou Português no Ensino Técnico de Estremoz, conheceu o artista António Areal (1928-1978), que muito o influenciou, e casou com a colega de faculdade, Maria Helena Azevedo. No ano seguinte foi afastado da Função Pública, por suspeita de ser um activista de esquerda, e viu nascer Hugo, o seu primeiro filho.

Em 1964 continuou a estudar Filosofia e expôs pela primeira vez de forma individual, na Galeria 111, em Lisboa. A partir desta data passou a mostrar regularmente a sua pintura no circuito artístico nacional.

Um ano depois voltou a ser pai, desta vez de Frederico, e transferiu-se para Lagos, onde retomou a convivência com o escultor João Cutileiro (1937-).

No final dos anos sessenta nasceram os filhos Sofia (1968) e Raul (1969). Entretanto, Álvaro Lapa recebeu os primeiros de vários prémios de pintura (2.º Prémio na Exposição da Queima das Fitas de Coimbra, de 1968, e o 3.º Prémio I Salão de Arte de Lagos, em 1970). Viajou até à Escandinávia (1970), onde experimentou novas formas de arte.

Em 1971 regressou a Lisboa, viajou pela Europa e pelo Norte de África e separou-se da mulher. No ano seguinte, escreveu sobre Joaquim Bravo, em Lagos e em Évora. Em 1973, atormentado por problemas psíquicos, encontrou apoio no amigo Cutileiro, que o incentivou a mudar-se para o Porto, e na nova companheira, a pintora Maria José Aguiar.

Ultrapassado o período de turbulência emocional, escreveu três obras literárias (Raso como o Chão, em 1974, Barulheira, em 1976, e Porque Morreu Eanes, em 1977). Tendo resolvido retomar os estudos, concluiu o curso de Filosofia na Faculdade de Letras da Universidade do Porto (1975). Em 1976 ganhou uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian e voltou a ensinar - inicialmente, no Ciclo Preparatório da Póvoa de Varzim, depois na Escola Superior de Belas Artes do Porto.

No início dos anos oitenta nasceu a sua filha Violeta (1980) e casou com Maria José Aguiar (1981).

Nos anos seguintes, travou conhecimento com José-Augusto França, historiador e crítico de arte, que passou a orientá-lo na sua tese de doutoramento sobre o Surrealismo em Portugal, e conheceu o poeta e artista António Dacosta (1914-1990).

Em 1998, os "Artistas Unidos" estrearam "MIKADO", na antiga fábrica Mundet do Seixal, um espectáculo realizado a partir de textos de Álvaro Lapa, Alberto Cinza e William Burroughs, da autoria de João Meireles e Joaquim Horta, com produção de Catarina Saraiva e Pedro Gaderet.

Em 2003, decorou a Estação de Metro de Odivelas, do Metropolitano de Lisboa.

Álvaro lapa faleceu em Fevereiro de 2006. Deixou a obra de um homem livre e criativo, filósofo de formação e artista autodidacta, que dedicou a sua vida à Pintura e à Arte, duas actividades indissociáveis e complementares na sua obra.

 

Antigos Estudantes Ilustres da Universidade do Porto - Álvaro Lapa. In UP - Universidade do Porto [Em linha]. [Consult. 2013-10-22].
Disponível na www: <URL: http://sigarra.up.pt/up/pt/WEB_BASE.GERA_PAGINA?P_pagina=1005861>.
Vera Lúcia